Pai, Filho e a Rainha do Lar
Era o pai um escravo submisso conhecido no meio SM, sempre presente em festas e eventos bordejando pra lá e pra cá em seu traje de empregadinha, a empregadinha de todos nós. Escravo doméstico, mas sem Dona, Dona mesmo era a sua Senhora. Senhora da própria casa, mandona, Rainha do lar, mas… Inconsciente do seu poder de Rainha. Sequer sabia o que era DomÃnio e submissão em um contexto erótico. Sua Senhora reinava, mandava e desmandava, acreditando que tudo aquilo era apenas seu dever de Dona de casa. Enquanto isso o marido sonhava… E nas festas era o reflexo das empregadas, cozinheiras, diaristas, todas as serviçais que ele via serem comandadas por Ela, a sua Senhora.
Conheci o filho meio por acaso, em um passeio no shopping deparei com a famÃlia. Esposa, marido e filho, exatamente nesta ordem. O pai educadamente fez um cumprimento com a cabeça, era um gentleman, enquanto a esposa, Rainha Soberana, o inquiria com o olhar. Saiu-se bem me apresentando como um contato comercial da empresa. Não era mentira, foi uma grande surpresa quando nos esbarramos profissionalmente, fora dos eventos fetichistas. Éramos grandes amigos. Da famÃlia eu sabia tudo, apenas não conhecia pessoalmente. Só não sabia uma coisa, era o filho um submisso também, pude reconhecer pelo olhar, e ele jamais comentara.
Fomos apresentados, conversa trivial, superficial, sua Senhora comentava dos preços, do calor, da violência urbana, era uma mulher falante, simpática, Dominante. O papo fluiu, resolvemos tomar um café. Parecia pouco mais velha do que eu, deve ter casado jovem, muito jovem. Não dava muito espaço para marido e filho ter expressão. Pareceu gostar de mim, éramos parecidas. Na mesa da cafeteria, nós conversávamos, eles escutavam. No entanto, era o filho que me chamava atenção, um rapaz de vinte e poucos anos, escondido atrás dos óculos, tÃmido, que não ousava me olhar nos olhos em nenhum momento.
A partir daquele dia nos tornamos amigas, inicialmente para desespero do marido, que temia que eu soltasse algo sem querer sobre a sua vida secreta. Medo que foi logo substituÃdo por uma grande cumplicidade, quando podÃamos rÃamos sozinhos das cenas protagonizadas por ela. Ele chegou inclusive a confidenciar que muitas vezes já correu para o banheiro para masturbar-se após presenciar algumas atitudes tiranas da esposa para com as empregadas. Ela era exigente ao extremo, naturalmente Dominante não apenas com os empregados, mas com marido e filho também, e eles já estavam habituados a isso. Ele só lamentava não ter coragem de dizer a ela dos seus desejos, das suas fantasias, acreditava que ela jamais entenderia seus desejos e talvez até pedisse a separação. O que pra ele era impossÃvel sequer imaginar. Ela era a mulher da sua vida, mesmo sem saber o porque.
Foi durante uma festa na casa deles que eu tive minha chance com o filho. Percebi muito rápido que ele estava sempre muito próximo e solÃcito a tudo que eu necessitava. Eu já exercia ascendência sobre ele, que naturalmente obedecia encantado. Sentia-me uma pervertida em desejar aquele rapaz que poderia ser meu filho. Principalmente porque quando eu o via, meu único desejo era mostrar que tudo aquilo, toda a insatisfação e vazio estampados em seu rosto, toda aquela subserviência desmedida podia ser transformada, canalizada em energia sexual. Eu sentia nele um potencial absurdo para submissão sexual. Ninguém necessita ser um submisso na vida. O próprio pai era um empresário de sucesso que desde muito cedo descobriu que sua submissão era apenas uma fantasia sexual. Quando olhava para o menino, eu só queria mostrar a ele que ser submisso não é ser menos homem. Ser submisso é ser tão homem que pode levar qualquer mulher ao extremo prazer sexual, ter prazer em dar prazer.
Não demorou muito engrenamos um assunto de interesse comum, softwares de edição de imagem. Conversávamos animadamente, o menino era além de interessante, inteligente. E como a casa estava cheia de convidados, a mãe de vez em quando vinha me perguntar se eu estava bem servida, era muito atenta ao serviço, perguntava se precisava de algo e a cada dez minutos lembrava a ele que não deixasse me faltar nada. O pai olhava de longe enquanto dava atenção aos outros convidados e sorria com cumplicidade, já havÃamos conversado sobre o filho e ele concordava com a minha teoria. No fundo ele já havia percebido o meu interesse e, principalmente, o interesse dele por mim.
Teve um momento que eu simulei uma torção em meu pé, no alto do meu salto doze e ele prontamente me acudiu gentil e carinhoso. Nos encaminhamos para um canto onde havia uma poltrona, ele ajoelhou-se diante de mim e desatou a minha sandália. Olhando-o nos olhos, pousei meu pé em seu colo e agradeci o cuidado, percebi um suspiro envergonhado da parte dele. De longe mãe e pai perceberam e aproximaram-se, ele retesou o corpo. Ela muito solÃcita perguntou o que aconteceu, eu fingindo dor disse que havia torcido o pé. O pai cúmplice pediu que o filho me encaminhasse para a saleta de TV, lá havia menos gente, enquanto isso a mãe, muito cuidadosa e realmente preocupada, coitada, foi pegar um creme para aliviar a dor. Sentia-me uma atriz, e tive um pouco de dó pela real preocupação dela, no entanto naquele momento tudo o que eu queria era as mãos dele em mim, e conseguiria a todo custo.
Na saleta, ele me acomodou no sofá, a mãe chegou logo atrás, instruindo-o sobre como massagear meu pé da maneira correta e me pedindo desculpas por não poder me dar a devida atenção, afinal, havia outros convidados. Saiu levando o marido pelo braço, eram os anfitriões, mas não sem antes exigir do filho que me cuidasse da maneira devida. Tarefa que ele executou com extrema devoção.
Massageou meu tornozelo com cuidado e eu fingia dor. Ele suava de nervoso, já havia percebido a minha má intenção, mas fingia não perceber e se deliciava tanto quanto eu com a ceninha de donzela em perigo. Cuidar de mim era naquele momento um ato duplamente submisso, já que ele obedecia à mãe enquanto dava prazer a mim. Ele ali, de joelhos diante de mim, num ato de cuidado e devoção, aliviando a minha dor, até quase ao ponto de me proporcionar alÃvio e prazer.
- Hummm… A massagem está tão gostosa que eu chego acreditar que se você der um beijinho passa a dor completamente – eu disse quase ronronando feito gata.
Ele olhou em meus olhos com o rosto afogueado, imediatamente depois olhou para a porta da saleta aberta, certamente com medo de executar minha proposta e ser pego no flagra pela mãe. Podia ler o dilema em seus olhos e continuei colocando o meu pé meio de lado e mostrando um pouco a coxa pela fenda do vestido.
- Dói mais aqui, ó! – apontando para o meu tornozelo.
E ele quase que hipnotizado parou de massagear para simplesmente olhar minha mão acariciar a própria perna, tornozelo e calcanhar. Estiquei meu pé colocando a cinco centÃmetros da sua face e repeti.
- Tenho certeza que com um beijinho essa dor passa…
Ele então, ainda de joelhos, segurou meu pé com as duas mãos, fechou os olhos e beijou exatamente onde eu havia indicado. No entanto, não parou ali, beijou também a sola com carinho e intensidade. Senti naquele beijo tamanho desejo, que foi como se ele tivesse beijado os meus lábios. Era uma cena linda diante de mim. Havia paixão e havia também subserviência. Mesmo cheio de medo que alguém pudesse chegar eu podia ver estampado em sua face o prazer em adorar meus pés. E antes que a carÃcia ficasse mais ousada e corrêssemos perigo, o interrompi.
- Obrigada, muito obrigada… Seu beijo é mágico, a dor passou.
Não sei ao certo quanto tempo passou, era como se ele tivesse beijado o meu pé durante horas. Sem dizer nada continuou a massagear, ali, de joelhos. Havia entre nós uma aura de encantamento. Ele estava nitidamente embevecido. Aquele menino era meu e nem sabia.
Foi então que a mãe dele entrou ainda preocupada com meu pé. Agradeci o carinho e a atenção, mas disse que iria pedir um táxi para me levar em casa. Não havia mais clima para festa. E ela então completou taxativa.
- Táxi para que, querida?! Meu filho leva você, não se preocupe, ele te leva direitinho, como um motorista particular – ela sentenciou naturalmente, como só as Rainhas o fazem.
Sorrimos. Não havia espaço para contestação. Sua Majestade, sem saber, conspirava em nosso favor. Seria um sinal do destino?

9 de agosto de 2007 







Lindo, muito lindo.
O melhor é a complicidade do pai…
Gostei. Teria adorado uma situação dessas na minha juventude
Um beijo,
Matt.
optimo conto parabens.
Adorei.
Excelente.
Curiosamente eu vivi uma situação na juventude que se assemelhou ,em certa medida, à do conto.
Quando eu tinha uns vinte anos ia algumas vezes a minha casa uma moça, chame-mos-lhe Luisa.
Ela tinha um filho.
Ela passava algum tempo deitada numa cama que lá havia em casa.
Um belo dia ela pede-me para eu lhe descalçar os sapatos.
Eram uns sapatos altos.., tiras finas.
Eu começo a faze-lo e ela diz algo como :
” Cheio de tesão…”.
Eu nada digo.
A observação dela deixa-me encabulado, sem jeito.
E a coisa fica por aÃ.
Parabens uma vez mais pelo conto.