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TENTAÇÃO

2 jun

[ Gente, convidei  Ricardo Rayol  para escrevermos em parceria, e modéstia à parte, o resultado ficou muito interessante. Esta dupla promete, não deixem de ler! ]

- Padre, quero me confessar.

Ela chegou contrita, olhos presos ao chão, vestido preto combinando com o véu. A igreja envolta pela penumbra, depois da missa, era o mais completo silêncio, cheiro de flores e velas no ar e o padre que arrumava a sacristia pediu que ela se dirigisse ao confessinário.

Rosinha era uma bela mulher, ainda desconhecida na cidade, fazia pouco tempo que havia se mudado, viúva, vivia sozinha numa casa à beira do rio num bairro distante do centro, às vezes vinha à igreja, mas o certo mesmo era encontrá-la todos os sábados na feira livre onde vendia suas cerâmicas. Padre Bento conheceu-a por lá quando encantou-se por uma imagem de Santa Rita que ela esculpiu com perfeição, ele a comprou neste mesmo dia, assim conheceram-se e Rosinha ficou intrigada com aquele semblante de santo que nada combinava com o sex appeal que emanava da sua presença forte. Falava com a mais absoluta calma, tinha gestos precisos, mãos grandes e de formas que chamaram sua atenção. Aquelas mãos permaneceram de tal forma em sua lembrança que ela quis esculpi-las, tocá-las, ser tocada por elas.
Depois daquele dia nunca mais se viram, o remédio para a fixação naquela lembranças das mãos que levaram a santa era ir à missa.

Depois da missa ela resolveu confessar-se, só assim poderia tê-lo mais perto. Padre Bento entrou no confessionário e Rosinha ajoelhou-se no genuflexório.

- Padre, vivo no pecado, é mais forte que toda minha parca resistência de mulher sozinha. Conheci um homem casado que me seduz demais, não só fisicamente, ele é muito bonito, muito sério, um olhar incerto, intransponível.  Foi numa noite de muita bebedeira que o conheci, ele colou em mim, coisa mais que provável pelo jeito com que me devorava com os olhos. Disse-me que nutria um tesão dos diabos pela minha pessoa, ficamos juntos na festa e bebemos demais, quando nos demos conta estávamos agarrados dentro do seu carro. Juro que antes disto tudo tentei resistir padre, no que fui totalmente vencida pelos seus beijos. Beijo bom ele tinha Padre, safado, sabe? Daqueles que querem comer ali, na hora. Que Deus me perdoe, mas a carne é fraca, principalmente a de uma mulher sozinha como eu – falou enquanto se benzia.

Padre Bento tentava ouvir sem envolver-se na narrativa. Tentativa vã, as palavras de Rosinha pareciam ter o poder de encaminhá-lo numa direção contrária e perigosa. O confessionário minúsculo ardia enquanto ele passava constantemente o lenço sobre a testa.

- Não suportei Padre, pedi a ele para me levar dali. Fomos para uma casa fora da cidade, foi uma noite louca, eu me desconhecia e muitas vezes me lembrava do finado pedindo desculpas pelo meu péssimo comportamento. Sexo sobre a pia da cozinha, na cama, no chão, grudados na parede, embaixo do chuveiro. Eu imaginava que ia ser bom Padre, mas não imaginava o quanto. É assim, quando bato os olhos num homem, sei se ele vai ser bom na cama, sei se vamos ou não parar entre os lençóis… nunca me engano – falando enquanto afastava o véu e o encarava.

Padre Bento suspirou, em silêncio. A imagem de Rosinha, debaixo do chuveiro com outro homem, era perturbadora. Pela trama que separava os dois ele percebia o calor que emanava daqueles olhos, daquela boca perfeita. Sentia o cheiro de cio que impregnava aquele corpo. Aquilo estava excitando-o. Ela continuou…

- Acabei não resistindo, naquela noite dei muito, dei demais. Impressionante, mas ele conseguia ensopar minha calcinha só de me olhar Padre, aqueles olhos me encharcavam totalmente. Foi daquelas noites que não se lembra de tudo depois, fica uma mistura embaralhada na cabeça de beijos, chupadas, metidas e gozos intermináveis; o gosto daquilo que me faltava fazia muito tempo. Foi assim que descobri que ele é viciado num boquete. Não me fiz de rogada já me desconhecendo, pois não costumo fazer destas coisas num estranho, dei a ele o que queria Padre, e o safado ria de orelha a orelha, a encarnação da felicidade, fechando os olhos delirando de prazer cada vez que minha língua deslizava, abocanhando, chupando de leve a cabecinha e no fim engolindo o pau inteiro – Rosinha deslizou a língua sobre os lábios ao terminar de falar.

O padre lembrou-se dos tempos de garoto do interior, antes do seminário. Quando começava a descobrir o mundo. Observando os animais e não entendo bem o que acontecia. Até que um dia de domingo, voltando da missa matinal, cheio de fogo e com as palavras da danação eterna ecoando pelos ouvidos, entrou na cocheira do sítio onde morava. Uma surpresa o aguardava. Sua tia, Berenice, pouco mais velha do que ele, nua, masturbava o pau de um garanhão. Um gigantesco pau. Mas não só o punhetava, também lambia ávida a cabeça daquele caralho animalesco. Mal cabia em sua boca, mas ela insistia, bravamente. Foi quando ela o percebeu. Ele ficou assustado, mas ela tranquilizou-o com um olhar brejeiro e safado. Chamando-o, pegou sua mão e esfregou em sua xoxota melada de tesão. Bento suava. Ainda sob controle de sua tia, tirou suas calças dominicais, baixou a cueca e um pau duríssimo saltou. Antes de chupá-lo, Berenice levou sua mão ao pau do cavalo. Enquanto ela mamava seu cacete, foi obrigado a punhetar aquele caralho. Que chupada! A boca de Berenice era muito melhor que o cu das galinhas onde costumava se aliviar. O senso de oportunidade da tia era tremendo. Ao mesmo tempo que Bento esporrava naquela boca o garanhão gozou. Berenice sorveu os dois caldos com uma cara de satisfação que Bento não podia acreditar. Foi a única vez que foi chupado. E ainda sentia a sensação do contato da boca em seu pau e de sua mão no cavalo. Despertou das lembranças quando ouviu Rosinha continuar implacavelmente, sem dó nem piedade, sua picante confissão.

- Depois disso ele me colocou de quatro e voltou a me comer com gosto, com um tesão descontrolado, desarrumando a cama, me amassando contra os lençóis, mordia meu pescoço, enquanto roçava o pau duro em minha bunda, depois meteu com vontade, com força seu padre, naquele lugar proibido – falou e se benzeu – num tesão de matar … Nossa Padre, com licença das más palavras, mas isso é passagem certa pro inferno, fiquei enlouquecida e gozei quase aos gritos. No outro dia acordei com as lembranças ainda adormecidas e aos poucos fui sentido um leve ardor que me tomava o corpo todo, de puro gosto e de saudade – se benzendo enquanto terminava de falar.

Padre Bento, agora completamente rijo, levantou-se. Rosinha, abismada, percebeu o tamanho da vara daquele santo homem, que com um olhar esgazeado, disse:

- Dona Rosinha, isso não se faz. Reze 600 ave-marias e 400 pai-nossos, ajoelhada em frente ao altar aqui de nossa igreja.

Dito isso, retirou-se deixando Rosinha atônita. Disfarçando a ereção, padre Bento dirigiu-se à sacristia. Lá aliviou-se, ajoelhado no milho e rezando o terço.

(imagem: desconheço a autoria)

MISTURA

13 abr

[conto criado em dueto, por mim e pelo Poeta Matemático, publicado também no Morango com Gengibre]

Quando Clara chegou em casa naquela noite de novembro nem desconfiava do que acabaria se passando. Era sexta-feira e a semana tinha sido mais pesada do que o habitual, pois ela tinha voltado de uma viagem a trabalho. Devia voltar só no sábado de manhã, mas conseguiu uma conexão de avião de última hora.

No quarto, tirou o casaco, deixando-o cair sobre o chão, despiu-se completamente, amarrou os cabelos em coque e foi tomar um desejado banho. Estava frio, lá fora garoava leve, fazendo barulho nos telhados. Não viu seu marido. Ele devia ter emendado o trabalho com um happy hour.

A água quente lhe fazia bem, relaxada. Não conseguia explicar por quê, mas sentia uma grande excitação. O toque das mãos em seu próprio corpo produzia calafrios. Podia sentir os bicos dos seios duros, sensíveis, reagindo delicadamente ao deslizar macio da água. Este pequeno sentimento tornou-se quente, acolhedor, tomando conta de seu corpo. A boca abriu-se num suspiro, quando ela tocou a própria nuca. A pele arrepiada, pontilhada de pontos solitários: pequenos vulcões ativos, prestes a entrar em ebulição.

Pensava em Mário, seu marido. Eles sempre se entenderam tão bem. Agora, depois de mais de uma semana longe, ela sentia um grande vontade de ser possuída como só ele era capaz.

Uma de suas mãos agora deslizava febrilmente no meio das suas pernas, toque delicado, sensível, buscando os recantos escondidos do seu corpo. Dedos que logo invadiam e provocavam intensas e involuntárias contrações. Ela gemia docemente, sentindo de olhos fechados os efeitos de seu próprio prazer.

Repentinamente ouve vozes, barulho de copos tilintando, gelo… Fecha o chuveiro para escutar melhor. O que poderia ser isso? Uma das vozes é do seu marido, a outra, desconhecida. Sua curiosidade cresce enquanto seu coração dispara, a outra voz é feminina. Chuveiro fechado, seu corpo ainda recoberto de espuma, pés molhados escorrendo sobre o tapete do quarto, o som das vozes se torna mais nítido, risos, silêncios… mais silêncio. Sua vontade é sair correndo e entrar na sala, mas controla-se e pé ante pé dirige-se ao corredor, já ouvindo alguns sussurros, gemidos, sons abafados… Sua respiração acelera, ela sente-se num misto de excitação e raiva. Faz frio, mas seu corpo ferve.

Num determinado ponto o corredor se alarga e forma um hall, onde ela coloca-se estrategicamente, vendo e não sendo vista. Mário está parcialmente nu, ainda de camisa e o laço da gravata desfeito serve de coleira que é puxada por uma mão de unhas vermelhas, só o que ela vislumbra da outra pessoa. Move-se mais à frente louca de curiosidade, percebendo em si uma estranha excitação.

Ela sente uma raiva imensa, mas mantém-se imóvel, ouvindo cada parte dos sorrisos, dos beijos estalados. A mulher desconhecida tira a camisa de seu marido, arranha seu peito enquanto beija-o com volúpia, dizendo coisas desconexas. Depois disso, joga-o com força sobre o sofá, colocando a sandália de salto sobre sua barriga.

- Beije meu pé.

Ele faz uma cara de contrafeito e ela lhe estapeia a face, ruidosamente…

- Agora…

Mário, o marido de Clara está entregue a uma grande excitação. Beija o pé, chupa cada um dos dedos delicados e bem cuidados, submisso, entregue. Ela tira o vestido longo com um movimento rápido e certeiro, permanecendo vestida apenas com uma calcinha minúscula, transparente. Clara sente um prazer inexplicável ao ver aquela cena. Seu marido era apenas um brinquedo para aquela mulher maravilhosa. Seu corpo pulsa de desejo. Deixou então a toalha cair e contemplou-se inteiramente nua sobre o chão frio de azulejos. Seus dedos ágeis tocavam seu clítoris, enquanto ela observa a mulher desconhecida cavalgar ruidosamente seu marido, usando a gravata como uma corrente em que ela domava seu cachorrinho.

Clara aperta a mão com suas pernas, arqueia o corpo e tenta conter os gemidos. A excitação é grande e ela explora-se profundamente, enquanta aperta os próprios peitos. Pensa naquela mulher, seu charme, a boca grossa de lábios esculpidos, as sobrancelhas bem-feitas, os seios volumosos, as mãos delicadas contrastando com o jeito forte, soberbo de mulher decidida. Tudo que ela mais queria de si mesma. E ela punha-se de olhos fechados, respiração alterada, sentindo os pequenos espasmos que antecedem um gozo maravilhoso. E, quando ela abre os olhos, para ver o corpo nu daquela mulher que lhe causou tanto tesão, viu que seus olhos e os dela tinham-se encontrado. Tinha sido descoberta…

Clara, mesmo paralisada de medo, lateja de desejo. Por alguns instantes elas encaram-se para em seguida a loura ignorá-la ao mudar de posição numa provocação, ajoelhando-se entre as pernas do seu marido, encarando-a cinicamente ao chupá-lo com desmedida dedicação, engolindo-o inteiro, lábios e língua relaxados deslizando de cima a baixo numa repetição enlouquecedora. Mário larga-se sobre o sofá gemendo palavrões, olhos que ora se fecham em delírio e ora abrem-se como um voyer admirado, enlouquecido.

Tomada por um ímpeto, Clara aproxima-se do sofá colocando-se ao lado da desconhecida, partilhando o pau do seu marido que se oferece completamente rijo, pulsante. Recomeçam a chupá-lo juntas, uma deliciosa mistura de línguas e pau, o gosto dele, o delas, a saliva morna que se mistura e escorre junto a mãos que deslizam e apertam suavemente.

Mário abre os olhos novamente confuso, observando maravilhado a cena onírica à sua frente. Fantasia, delírio? Sua amante e sua mulher compartilhando seu pau, esquecidas, olhos fechados entregues ao desejo. Aos poucos soltam-no e entregam-se a um beijo febril, longamente saboreado, agarradas, famintas, seios eriçados, bocas coladas, corpos suados que brilham. Caem uma sobre a outra, se esfregam, mãos que buscam, se exploram mutuamente, línguas sedentas que provam, descem, chupam, lambem. Louco delírio… Enquanto diante daquela cena inacreditável, Mário delirando, masturba-se descontroladamente, explodindo de tesão.

E, na noite fria e solitária, os três corpos misturam-se sedentos, de tal forma unidos que nem se sabe se há começo ou se há fim. De certo mesmo só um desejo ardente, urgente, imprescindível que toma tudo, viceja. Desejo de pesadelo, suplício, que só se aplaca no gozo, no gosto dos gostos misturados.