Doce Tortura

Esse texto não é meu. É de um fã e grande amigo. Achei a homenagem linda e decidi postar. Enjoy.

- Tá doendo?
- Não.
- Mas você sabe que vai, não é?

Ela sabia. Nossa brincadeira de tortura e desejo começava agora. Ela estava sobre a mesa, nua, ajoelhada, com as mãos nos joelhos. Era minha modelo viva e eu não ia pintá-la ou escrever sobre ela, mas usá-la com todos os meus sentidos. A imobilidade lhe doeria como um látego em minhas mãos cruéis. A impossibilidade, seu sofrimento.

Começo minha viagem afastando os cabelos negros de sua nuca quente e perfumada. Como o assassino Grenouille, respiro profundamente seu cheiro e sinto arrepiar-lhe os pelos. O calor doce dos seus cabelos me invade e então eu os acaricio, como se lhes roubasse a força necessária para descer os campos coloridos de suas costas.

Sigo carinhosamente a linha de sua coluna, que minhas mãos ajudam a retesar enquanto comprimem sua cintura. Desço por ela e me aproximo dos abismos infernais de sua bunda rija e redonda. Perscruto com os olhos a região escura onde habita o prazer e a dor e com a ponta de um dedo incomodo seu botão róseo e tímido, que se retrai involuntariamente como um animalzinho assustado.

Sem tanto cuidado, entretanto, invado com os dedos a sua gruta, reentrância mitológica onde o fogo e água se encontram para nascer quando a conjunção de Vênus e Marte aponta no céu escuro.

Imóvel, ela gane baixinho.

Sinto-lhe o gosto acre do sexo que ainda repousa em meus dedos e com ele vivo na língua, delicio-me em descer por suas coxas, cobertas de  fina penugem. Faço a volta na curva de seus joelhos, acaricio-lhe de leve as panturrilhas e chego aos tornozelos e pés, sobre os quais repousam suas nádegas ainda úmidas da minha língua. Seus pés pequenos e macios são um convite ao fetiche, à falta de freios, ao deslimite mais furioso.

Ajoelho-me à sua frente. Seu ventre e umbigo tremem por um desejo afastado por infinitos centímetros e segundos. Seu peito arfa curto, enquanto aproximo meu rosto dos seus seios pequenos e rosados, imprensados entre seus braços esticados. Roço neles a barba por fazer, recebo deles o calor em meu rosto, percorro-os com minha pele áspera e vejo seus bicos endurecerem, brinquedos eternos de dedos e língua. Lambo-os displicente, como se não ligasse. Afundo meu rosto em seu pescoço, sinto seu colo ferver, mordo com força sua orelha para ouvir seu gemido e sua respiração. Devagar, longo, interminável.

E então volto à superfície e encaro seus olhos, que me odeiam como se brigassem de facas com os meus. Ela ainda não se move quando acaricio seu rosto com condescendência, e passo um dedo em seu lábio, borrando seu batom, em um desprezo de teatrinho que corrói até as últimas entranhas de seu útero, prenhe de um pequeno feto, filho da vingança com a revanche. Meu último ato é segurar-lhe novamente a nuca, voltando a onde comecei.

É o sinal. A viagem terminou.

Afasto-me enquanto ela se levanta manhosa e lisa como um gato. Espreito sua reação, que não demora: com força, ela me empurra no sofá e monta sobre mim, nua e louca.

Então, enfia a língua em minha orelha e diz baixinho:
- Minha vez….Tá doendo?

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5 respostas a Doce Tortura

  1. Você deveria mandar no mundo, seria bom se vc fosse minha professora da adolescência, se fosse minha vizinha. Seria bom se voce estivesse em todos os lugares. Seria lindo se todos espalhassem o amor e o desejo para todos os lugares , por todos os poros. O amor! se todos matassem a vontade, se corpo e cérebro tivessem sempre como prioridade a busca do calor e o fornecimento dele. e que aumentassem a água, a água que lambuza, que escorre, a água da vida e que lubrifica. eu adoraria dizer para todas vocês, se você fosse minha vizinha, prima , professora que eu amo e amo e amo. e nem para de pensar em voce e seus clones!

    Nada me

  2. Sheldowt disse:

    olá! gostei muito dos seus textos, também tenho um blog nesse estilo, em forma de poesias se quiser conhecer é http://www.poemaseroticos.spaceblog.com.br abraços e parabéns por saber diferenciar erotismo de pornografia.

  3. Eliza paz disse:

    Doce tortura:
    uma relação de prazer sabor e dor, mais que jamais pediria para parar vai aumenta até que eu não resista e goze, nessa doce tortura.

  4. Carmen F. disse:

    Ah … por que parou? Parou por que? Você escreve tão bem. Não deixe de alimentar seu blog!

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